sábado, 12 de novembro de 2016

Cansado

Leia ao som dessa música:



Eu tô cansado. Não cansado da vida. Mas cansado de viver, sabe?
Não é que eu queira morrer. Mas eu queria poder me desligar por alguns meses.
Desaparecer de mim mesmo. Ser outra pessoa. Não existir.
Eu tô cansado dessa confusão mental, dessa bagunça emocional.
De saber o que quero, mas não poder ter.
De não saber o que quero, mas ter que decidir ter alguma coisa.
De não poder simplesmente deixar as coisas acontecerem.
Dessa necessidade gigante de ter todas as respostas. Sempre. Agora.
Eu tô cansado de inventar diálogos que nunca aconteceram. E talvez nunca aconteçam.
De viver cenas imaginárias. Que mesmo sendo imaginárias, nunca são pra me fazer feliz.
Parece que até minha imaginação trabalha contra mim.
Ela podia tratar de imaginar coisas boas. Já que é apenas imaginação.
Mas não. Ela sempre traça as piores possibilidades.
E tudo é sempre tão real. Eu vou do céu ao inferno em segundos.
Eu tô cansado de me importar. Com tudo. Com todos.
De ser o cara legal, mas nunca legal o suficiente.
De ser especial, mas nunca especial o suficiente.
De ser alguém que outra pessoa terá muita sorte em ter.
Mas é sempre outra pessoa. Nunca a pessoa.
Eu tô cansado de ter que me atolar de trabalho.
De ter que ficar bêbado todo final de semana.
Pra experimentar uma sensação artificial de felicidade.
Eu tô cansado mesmo.Cansado de tá cansado.



domingo, 2 de outubro de 2016

Saúde!

Leia esse texto ao som dessa música:




"Dormiu até bem, mas acordou ruim."
"Tá melhor hoje, o rosto tão sereno, tá até sorrindo".
"Acordou tão bem, mas talvez não passe de hoje."

Vocês vão me desculpar o exagero, mas estar em uma relação não-correspondida parece muito com uma UTI. Essas frases acima poderiam ter sido ditas para alguém em estado terminal, ou simplesmente pra alguém em um relacionamento confuso, unilateral, complicado.

E quando eu falo de relações não-correspondidas, eu não estou falando apenas de um amor não correspondido. Tem muita relação por aí onde até existe um amor mútuo, mas tem outras coisas não-correspondidas como respeito, admiração, interesse, etc.

Sabe quando você dorme depois de uma conversa de horas no telefone, mas acorda sem um bom dia?
Aí você fica se cobrando se terá sido afoito demais na conversa, se demonstrou muito interesse, se se entregou demais, se assustou.

Sabe quando você tem uma manhã de diálogos intermináveis e te ignoram o resto do dia?
Aí você fica se perguntando se só falaram com você por uma mistura de educação e pena, se estão jogando algum tipo de "jogo", se estão apenas te dando corda pra se enforcar, se estão apenas tentando te manter por perto pra caso nada mais dê certo.

Sabe quando você recebe fotos, músicas e relatos de uma viagem de ônibus num dia, e no outro fingem não saber da sua existência?
Você fica tentando entender o que fez de errado, que resposta poderia ter dado diferente, se digitou kkks demais, se colocou algum emoticon com um sentido que você não conhece.

E nessa de se cobrar, se perguntar, tentar entender, quando você dá por si, você está numa UTI. Acordando bem, dormindo mal, sorrindo às vezes, querendo morrer outras. 

Ok. Posso ter exagerado. Posso ser exagerado. Pode até não ser uma UTI.
Mas quanto tempo a gente demora pra entender que relações confusas, unilaterais e complicadas no mínimo saudáveis não são?

Ninguém pode ter seu estado, seu humor, sua saúde psicológica, emocional e às vezes até física dependente de outra pessoa. Física sim. Porque dói o peito. É difícil respirar.

Se você está numa relação dessas: Saúde!


sábado, 17 de setembro de 2016

Segundas

Você pode ler esse texto ao som dessa música:





A parte mais difícil de esquecer alguém não é esquecer esse alguém. 
É esquecer o dia a dia. 
É esquecer aquele lugar onde vocês se viram pela primeira vez, 
e que você passa em frente todos os dias ao ir trabalhar.
É esquecer aquele áudio engraçado do whatsapp
que vocês enviavam um pro outro pelo menos 5 vezes ao dia.
É esquecer aquela música que você recebeu dizendo que era a sua cara.
É esquecer o "já comeu?" na hora do almoço.
É esquecer a foto na hora da academia.
É esquecer aquela mesa quebrada que você consertou.
É esquecer aquele pedaço de bolo que você levou.
É esquecer as risadas sem motivo ao longo do dia.
É esquecer aquele mini ataque cardíaco
quando o celular vibrava com uma mensagem nova.

E de repente a ida e a volta do trabalho começam a ser desafios diários.
Chegar no trabalho e se afundar de afazeres é um refúgio. 
Parece ser a solução mais rápida e eficaz.
Pra, se não esquecer, pelo menos evitar lembrar.

Todo final de semana era a mesma coisa. 
Mesmo que não estivéssemos juntos fisicamente, 
a gente tava junto nas palavras.
Um bom dia pra cá, um boa tarde lá,
e de vez em quando um "tu não falou comigo hoje ainda". 

E de repente eu que tanto amava os finais de semana passei a odiá-los.
E de repente eu que tanto amava lembrar de você, passei a odiar ter que te esquecer.
E de repente eu que tanto odiava as segunda-feiras, passei a amá-las como se fossem sexta-feiras.







segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Às vezes não é amor

Leia esse texto ao som dessa música:



Às vezes não é amor. É vontade.
Vontade do que pode ser. Vontade do que poderia ter sido. Vontade de ser real.
De ter sido mais do que foi, de verdade, e menos do que foi de mentira.

Às vezes não é amor. É curiosidade.

Curiosidade de te ter pra mim. De te ter só pra mim.
Curiosidade de como seria uma vida onde não preciso te dividir com mais ninguém.
Curiosidade de viver em um mundo onde somos um só.
Onde nossos sonhos e objetivos deságuam no mesmo mar.

Às vezes não é amor. É comodidade.

Comodidade de não ter que procurar mais ninguém.
Comodidade de aceitar que não fomos feitos um pro outro,
mas não entramos por acaso em nossas vidas.
Comodidade de não ter que mais duvidar da minha capacidade de amar e ser amado.
De entender que não havia dado certo com ninguém, 
porque não podia dar errado com você. Mas deu.

Às vezes não é amor. É medo.

Medo de nunca mais encontrar ninguém que faça eu me sentir assim.
Medo de ter medo. 
De não ter mais coragem de enfrentar o mundo, 
como eu tinha com você.
Medo de ser alguém, que assim como você não conseguiu amar, ninguém mais consiga.

Às vezes não é amor. É saudade.

Saudade do que não foi. Saudade da vida que eu criei e só eu vivi.
Saudade do começo que tivemos, do meio que poderíamos ter tido e do fim que nunca tivemos de fato.
Saudade de quem você era, e de quem eu era junto de você.

Às vezes não é amor. É apego.

Apego ao fato de que nunca ficaremos juntos de novo.
Apego à dúvida se teria sido diferente se eu tivesse agido diferente.
Apego às memórias que colecionei ao longo deste 1 ano e meio.
Apego a quem você é. Apego a quem eu queria que você fosse.
Apego a quem eu projetei ser ao teu lado.

Às vezes não é amor. Foi.

Foi vontade. Foi curiosidade.
Foi comodidade. Foi medo.
Foi saudade. Foi apego.
Às vezes não foi amor. É.




segunda-feira, 23 de maio de 2016

É bom passar na cozinha

Trilha para o post:



O leite só ferve quando você sai de perto. 
Mas é bom passar na cozinha de vez em quando.

Sempre fui contra máximas. 
Sou do tipo que prefere acreditar que tudo é relativo. 
Se você parar pra pensar, existe um ditado pra tudo que você quer acreditar.  
Você pode se apegar ao "Quem acredita sempre alcança" 
- se for um cara persistente e que corre atrás, por exemplo. 
Mas pode ficar com o "Se for pra ser, será"
- caso seja do tipo que prefere não forçar e espera acontecer naturalmente.

Agora, essa do leite me deixou pensativo esses dias. 
Ela tem lá o seu sentido, porque geralmente quando se quer muito alguma coisa, 
quando se cria muita expectativa em cima dela, 
ela parece demorar mais pra acontecer. Que nem o leite. 
Mas por outro lado, se você não tá nem aí, se não faz por onde, se não procura,
as chances de acontecer e você não perceber também são grandes né?! 

Já pensou se o leite ferve, transborda, 
suja a panela, o fogão, a cozinha e você nem vê?! 
Por isso, logo eu, que odeio máximas, acabei de criar uma: 
o leite só ferve quando você sai de perto.
Mas é bom passar na cozinha de vez em quando. 



segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Limitless | Pilot Review




Hoje será exibida nos EUA a Series Premiere da nova série da CBS - Limitless. A CBS, que não é boba, nem nada, "vazou" há uns quatro dias o piloto. Portanto, já tem em vários sites o episódio legendado pra quem quiser assistir. E eu, que não sou bobo, nem nada, já vi: ( ) sim ou ( ) claro?






A série é baseada no filme homônimo de 2011, que tem Bradley Cooper como protagonista (ele inclusive faz uma ponta no show). A história é sobre a vida de Brian Finch, um cara sem grandes pretensões na vida. Um daqueles adolescentes de 30 e poucos anos, que viu amigos e irmãos crescerem na vida, e ele ainda no "livin la vida loca", correndo atrás do sonho de ser músico. Tudo muda de figura quando seu pai adoece e os médicos não conseguem encontrar um diagnóstico. Brian procura um emprego e acaba reencontrando um amigo de longas datas, que o apresenta a uma nova droga, chamada NZT, que lhe dá acesso a 100% da capacidade do cérebro, o que permite que quem a use faça coisas inacreditáveis.






O piloto é envolvente. Rápido, autoexplicativo e com um bom desenvolvimento dos personagens. O plot central é interessante e o casal principal tem química (já shippo). Peca na falta de soundtrack, mas como é uma série de ação, não dá pra esperar um musical. No entanto, como o personagem é músico, acho que podemos ter boas surpresas no quesito trilha sonora. 






Sobre os atores: eu não conhecia o ator principal, Jake McDorman (Manhatan Love Story) mas ele deu show no papel. A série conta ainda com a linda e talentosa Jennifer Carpenter (Dexter) e com participações especiais do Bradley Cooper. Vejam o trailer:






Em resumo: me prendeu, mas ainda não empolgou. Vale a pena assistir o piloto e acompanhar a primeira temporada. Tem cara de ser aquelas séries, que do terceiro episódio pra lá vicia. Se você ficou curioso, dá uma conferida no primeiro episódio e depois comenta o que achou.





domingo, 30 de agosto de 2015

O novo

Trilha para o post:



Esses dias eu tava pensando. Sabe de uma coisa? Se eu tivesse o poder de parar no tempo, acho que não pararia. Sabe aquela coisa que todo mundo fala, de congelar momentos e tal? Não, obrigado. Passo. Parar no tempo é ficar preso ao passado, é se privar de viver nosso próprio futuro. 

Por isso, viva! Viva com intensidade cada segundo destes que não voltarão mais. Consolide seus velhos amigos. Faça novos. Coloque seus sonhos embaixo do braço, e siga em frente. Realize-os. E quando realizá-los, crie novos sonhos.

Se eu tivesse a chance de ter sempre as mesmas pessoas, não aceitaria. Se eu tivesse o dom de viver a vida à toa, não viveria. Se eu pudesse amar sempre as mesmas coisas, não amaria não. Isso é viver em vão. É limitar o coração.

Não se limite. Expanda-se. Procure aquilo que faz seu coração bater mais forte. Procure aquilo que te dá frio na barriga. Essa sensação nunca é demais. Feliz daquele que o seu amor, o seu trabalho, a sua vida te faz sentir todos os dias um novo frio na barriga. Nada como o novo. O velho é bom. É reconfortante. Tem gosto de "casa", de "comida de mãe". Mas o novo, ah o novo é espetacular. O novo é desafiador. Tem cheiro de livro em livraria, sabe como é? Daqueles que mesmo quando você não compra, você passa as páginas bem rápido perto do nariz, só pra sentir o cheiro. É quase como uma droga. Na verdade, a sensação é bem parecida. O novo vicia.

"Vai. E se der medo, vai com medo mesmo."



terça-feira, 28 de julho de 2015

Coração de gelatina

Trilha para o post:



Ao longo da vida, a gente vai ouvindo tanta coisa. O que não falta são ditados, máximas, frases de efeito, emaranhados de palavras tidas como verdade absoluta, que tendemos a aplicar a tudo, como se fôssemos iguais. Esquecemos nossas histórias, nossas particularidades, nossos pensamentos mais absurdos, nossos sentimentos mais ocultos.

"Quanto mais o coração apanha, mais duro ele fica." - quantas vezes você já ouviu isso? Não sei você, caro leitor, mas comigo isso não funciona. Pelo contrário, parece que cada pancada que o vermelhinho aqui leva, ele vai ficando mais mole, tipo gelatina, que batem de um lado e a gente sente do outro. E assim como a gelatina, ele nem cicatriza mais. Não tem o que cicatrizar, não feriu nada. Mas a pancada fica. O machucado fica. E garanto a você que dói muito mais. Quando fere, cria casca, cicatriza e para de doer. Quando não fere, é porque a pancada foi certeira. Pegou  em cheio. A dor é mais forte, mais demorada.

Meu coração é um mundo de hematomas. Em cada país, uma história. Em cada cidade uma boa dose de sofrimento. Às vezes vejo esse pessoal saindo de um relacionamento "lindo e perfeito" e entrando em outro "mais lindo e perfeito ainda". Eu me pergunto se essa galera ama fácil ou nunca amou de verdade. Esquece rápido ou é o velho medo de ser só? Porque, novamente, a vida inteira a gente ouviu que "é impossível ser feliz sozinho". Sei não. Tenho lá minhas dúvidas. Às vezes eu acho que de tanto a gente procurar a felicidade no outro, deixamos de enxergá-la dentro de nós mesmos. Não esqueçam que a gelatina tem cor, mas no fundo é transparente. Nosso coração é assim: quem vê por fora não faz ideia do sabor que tem por dentro. Evite pancadas de quem não está disposto a conhecê-lo de verdade. Ver é fácil. É no enxergar que mora a dificuldade.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Deixa vir

Trilha para o post:




Apenas chega uma hora que não se tem mais domínio sobre a mente e o coração. Não se consegue mais controlar pensamentos ou sentimentos. Você fecha os olhos e tudo vem como uma grande queima de fogos em noite de Reveillon - várias cores e formatos se sobrepondo. Já não se sabe quem está pensando ou sentindo tudo aquilo. Só sei que é bom. É bom sentir. É ruim pressentir. Porque com o sentimento vem sempre o medo. O medo do que vem. Deixa vir. A gente nem sempre precisa ter controle sobre tudo. De vez em quando não ter controle é bom. Até porque a queima de fogos mais bonita não é aquela que segue um compasso. É exatamente o contrário. É a que surpreende com o que vem depois. É a que te faz ficar quinze minutos ou mais olhando pro céu sem saber o que vem a seguir. Então, deixa vir.





terça-feira, 6 de maio de 2014

Perder. Doar.

Trilha para o post:




O meu problema com o perdão é que eu perdoo muito. Perdoo sem desculpas. Até mesmo onde não se tem o que perdoar. O meu problema com o perdão é que eu perdoo fácil. Perdoo fácil até o difícil. Eu perdoo todo mundo. Os que eu gosto muito, os que eu gosto pouco e até os que eu não gosto.

O meu problema com o perdão é que eu perdoo rápido. Tão rápido, que não me permito esquecer. Perdoo uma. Duas. Três. E então não consigo mais perdoar. Porque não é rápido esquecer. Mas é rápido lembrar.

Esse é o meu problema com o perdão. Ele é limitado. Porque perdoar dói. E não tem que ser fácil. Muito menos rápido. O meu problema com o perdão é que não sei perder. Não sei doar. Quem dirá perdoar.






segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Morada


Trilha para o post:




Quando os pés começam a balançar mais que o normal, quando toda música começa a ser a "sua música", quando a cabeça fervilha e o coração pula, é sinal que ele tá batendo a porta. É ele querendo chegar. Ele que faz sorrir, faz pensar, faz chorar. Ele que tira, ele que dá. Ele que vem, passa e fica. Que às vezes consola, e em outras briga. Se ele quiser, ele avisa. Muitas vezes nem precisa. E é feio resistir. Uma grande falta de educação. Mas fazer o que se a gente tem medo que ele maltrate o coração? Aí a gente evita, afasta, nega. Mas ele vem, pega a gente e cega. E quando você vê, já não vê mais nada. Ele chegou. O amor fez morada. 





terça-feira, 9 de julho de 2013

1 mês para o fim do mundo.

Trilha para o post:



Não. Não falta um minuto para o fim do mundo. Toda a sua vida não vai embora em 60 segundos, como diz a música do CPM22. Mas e se o mundo acabasse mesmo daqui a um mês? Você já parou pra avaliar a sua passagem aqui na Terra? Você está feliz? Feliz com o que se tornou, com o que tem, com o que faz? Feliz com o que não se tornou, com o que não tem, com o que não fez? Feliz com seus amigos? Feliz com seus amores?

O mundo provavelmente não vai acabar daqui há 1 mês. Nem daqui há 1, 100 ou até 1000 anos. Duvido muito que no dia 21/12/12 tudo vá pelos ares. Mas o relógio de cada um está passando. Você está fazendo sua vida valer a pena? Se esse não é o propósito de viver, então sinceramente não sei qual é.

Só peço a Deus uma coisa: acaba não, mundão. Porque respondendo às perguntas feitas acima eu só consigo chegar a uma conclusão: a gente ainda tem muito o que fazer aqui.




quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tempo

Trilha para o post:





A velocidade em que o tempo passa não é segredo pra ninguém. Nós temos tempo pra tudo, mas nunca temos tempo pra nada. A rotina é pesada. Tem que dar conta de estudar, trabalhar e até pro que dá prazer tem que arrumar tempo. Não dá pra farrear, namorar, conversar, transar, sem tempo. 

O tempo é fundamental. O tempo corre, o tempo dita, o tempo cura, o tempo muda. O tempo muda comportamentos, pensamentos, sentimentos. O tempo muda pessoas. E é nessa correria, no modo automático, sem muito tempo pra pensar, sem muito tempo pra buscar um pouco de si em si, que a gente percebe que mudou. 


Faz o teste. Tenta lembrar de coisas que você disse que jamais faria e fez. Aquilo que você nunca nem pensou em fazer e hoje já considera. Aquilo que você não se imaginava capaz e conseguiu. Hoje foi o meu dia de perceber que mudei. Acho que a maturidade faz você perder o medo de falar, o medo de sentir, o medo de agir. Acho que o tempo faz da gente mais bravo, mais corajoso, menos covarde. 


Acho que o tempo faz a gente perceber que ele não é piedoso, e por isso mesmo, também não devemos ser. Acho que o tempo leva um tempo pra mostrar que nós não temos todo o tempo do mundo, e que agora é que é o tempo. Tempo pra amar, tempo pra viver, tempo pra ser feliz, tempo pra ter tempo. Ah, o tempo.




sábado, 29 de junho de 2013

E então

Trilha para o post:



E então você descobre que o vazio no peito não era um sopro, que o vazio na mente não era desvio de atenção, e aquela estranha sensação de borboletas no estômago não era fome. E então você percebe que não falta algo em você. Falta alguém. Alguém que preencha o vazio do peito, da mente, e que aumente aquela estranha sensação de borboletas no estômago. E então você se dá conta de que as paredes já não são boas ouvintes, que a música não é uma boa companhia e que bebida nenhuma nunca vai ser suficiente. E então você aceita que sempre será ninguém sem esse alguém.




sábado, 22 de agosto de 2009

No fim

Trilha para o post:



Quando tudo acabar, lembre-se de que se acabou foi porque existiu. E se você chorar porque tudo acabou, lembre-se de que só lamentamos perder aquilo de que gostamos. Então se você chorou quando tudo acabou, é porque você gostou de quando tudo existiu.

Se você lembrar que tudo existiu, mas já acabou: não chore. Seria pior se não tivesse existido. Não implique com suas lembranças só porque elas não te deixam em paz. E se você não as tivesse?

Lembrar do que foi bom não faz mal, apenas nos faz ver o quanto nossa vida é importante e nos faz reconhecer a infinidade de coisas boas que passam por nós e muitas vezes só valorizamos no fim. Mas se o fim de uma determinada coisa chegou pra você, lembre-se de que é o começo de outra. E não deixe para perceber o quanto essa outra é importante só quando ela estiver prestes a acabar. Pois quando ela acabar, você vai chorar, lembrando que ela existiu e apenas no fim você soube gostar.


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Indecisão

Trilha para o post:




Sabe quando você não sabe ao certo o que quer? Isso não existe. Indecisão é quando você sabe exatamente o que quer, mas acha que deveria optar por outra coisa. Mas e quando os rumos que você direciona a sua vida já não dependem só de você? Você necessita de um feedback, um retorno, um sorriso, uma ação de uma segunda pessoa. Na verdade tudo se torna mais complexo. Pois às vezes nós perdemos parte da nossa vida esperando respostas que nunca vêm, não porque não vamos buscá-las, mas porque muitas vezes o outro é incapaz de nos dar.

A Química afirma que os opostos se atraem. Não é bem assim, né gente? Você já parou pra pensar como pode dar certo uma relação entre alguém cheio de sentimentos, que esbanja amor a todos, que não poupa Eu te amo's, com alguém de uma frieza impressionante, que é capaz de dizer "uhun" após ouvir "Eu te amo".

O que fazer nesse caso? Abrir mão? Esperar por mudanças? Acreditar que essa pessoa não é assim? Ou como dizem por aí... tentar ver apenas o lado bom?

O que é pior: amar e não ser amado? Amar, ser amado, mas não querer que esse amor aconteça? Ou amar, ser amado e querer que esse amor aconteça, mesmo sabendo que ele não tem futuro algum?

Sofrer por alguém é difícil. Imagine quando se sofre por si mesmo. Um sofrimento baseado nas suas próprias decisões. Oportunidades desperdiçadas. Chances de dizer sim, em que você disse não. Momentos em que você deveria ter dito não, e, no entanto, disse sim. Firmeza é algo que não é inato a todos. Alguns conseguem adquirir com o tempo. Outros nem o tempo ajuda.


Há pessoas que sempre terão dúvidas entre dizer sim ou não. Há pessoas que sempre hesitarão em dizer o que sentem. Há pessoas que sempre serão pessoas, e apenas pessoas.


terça-feira, 18 de agosto de 2009

P.S. Seja Feliz

Trilha para o post:



Dizem que o mundo gira e bota sempre tudo no lugar. Nesse processo eu já tô tonto e esse dia não chega. Tristeza é um sentimento feito para os tolos. Pessoas que conseguem dar mais peso às coisas ruins do que às coisas boas da vida. Na maioria das vezes ficamos tristes por quem não merece nem a milésima parte dos nossos pensamentos. E a culpa é nossa, que depositamos expectativas em pessoas incapazes de correspondê-las.

O ser humano é complicado por sua natureza intrínseca. Pra quê sentir falta de algo o qual nunca se teve? Pra quê desejar "amizades" que nunca existiram? Pra quê querer "amigos" que nunca foram amigos? É impressionante como temos uma necessidade de nos sentir importante pros outros. Um complexo de rejeição exacerbado. Pergunte a sua mãe se você é importante pra ela. E então? Isso não te basta? Claro que não, porque nós sempre queremos ser pra alguém o que esse alguém representa pra nós, e nem sempre é assim. Às vezes nós somos meros coadjuvantes na vida de pessoas que são protagonistas na nossa vida. Apegar-se é algo fácil. Difícil é desapegar.

Amar é a sina de todo ser humano. Ninguém pode (e nem quer, vamos ser sinceros) escapar desse sentimento contraditório que nos faz passar da felicidade imensa à depressão profunda em questão de segundos.

Existem muitos tipos de amor. Qual o melhor amor?
É aquele em que você consegue amar e ser amado. Por isso:


Ame, sofra e seja feliz.




quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Decepção não mata. Ensina a viver.

Trilha para o post:





Eu já disse por aqui antes que a vida é um ciclo e que para começar uma nova etapa temos que chegar ao fim de uma. Há dois dias conclui uma etapa da minha vida. Algo que eu queria fazer há muito tempo, mas me faltava coragem. Às vezes me pergunto se foi a melhor saída. Às vezes me arrependo do que fiz. Mas, no fundo, no fundo, eu sei que essa foi a melhor coisa a se fazer.

Tem um ditado que diz: "Se houver pedras no seu caminho, faça com elas uma escada e suba." Nem todas as pedras servem para tal fim. Algumas pedras é melhor que fiquem bem longe da gente. Pois podem se soltar dessa "escada" e nos fazer cair. Por isso, temos que definir o que (quem) nos faz bem ou mal. Amar acima de tudo a nós mesmos. Confiar em nós mais que em qualquer pessoa.

A vida nos ensina com nossos erros.
A vida nos faz entender que as pessoas não são como a gente quer.
A vida nos faz aprender com as decepções.
Afinal, decepção não mata, ensina a viver.

Quem sabe eu cresça, né?



terça-feira, 11 de agosto de 2009

As pessoas falam demais.

Trilha para o post:




Uma vez me questionaram: 
"Italo, me responde só uma coisa: tu tá apaixonado ou tá sofrendo?"
E eu respondi: "Uma coisa leva a outra, ou não?"
Na hora achei que foi a resposta mais correta, mas não. Nem todos os que amam sofrem.

Uma vez me perguntaram:
"Você me ama, né?"
E eu respondi: "Como amo a todos os meus amigos."
Perdi a oportunidade de dizer o que eu sentia.

Um dia tomei coragem e disse toda a verdade. No entanto, apesar do meu ato de coragem, eu fui chamado de covarde. No outro dia, entretanto, eu ouvi um : "Pensei em você o dia todo!" Mas por vários dias seguidos eu não ouvi sequer um oi.

Uma vez eu disse a seguinte frase: "Algum dia vai sentir saudades e perceber que te faço falta. Ninguém sabe o que tem até perder." E tive que ouvir: "Ninguém perde o que nunca teve!"

As pessoas falam demais. Não falam quando precisamos ouvir. E falam quando não temos a mínima vontade de escutar. Dizem por aí: "Quem fala o que quer, escuta o que não quer!" Mas quem não fala nada, também não escuta nada. Os filósofos diziam que se tirarem do homem a capacidade de se comunicar, a humanidade viveria um caos.

Falar é fácil, ouvir é difícil. Mas e quando falar também é difícil? Você já parou pra prestar atenção em quantas vezes diz que ama alguém? Não estou falando de um amor, aquele amor... mas de um amigo, às vezes até um desconhecido que te ajudou em alguma coisa e você solta um claro: "ai meu Deus, eu te amo, brigado!"

Mas você já parou pra pensar que quando o amor é aquele amor, dizer EU TE AMO passa a ser um ato de coragem. Você ensaia por diversas vezes, mas sempre trava. Aliás, desculpa. É apenas falta de oportunidade, né? Eu sei que é clichê, mas uma das maiores verdades que existem é que nós fazemos as nossas oportunidades.

As pessoas não são como a gente quer. Elas são complicadas demais, difíceis demais, complexas demais, tudo demais. Mas isso nos fascina, o desafio de desvendar o outro. As inúteis tentativas de entender a cabeça alheia. A incessante vontade de penetrar no coração e nos pensamentos de quem se ama.

Por isso, fale, mas pare pra ouvir. Pense que assim como alguém pode lhe parecer complicado, esse mesmo alguém pode estar tentando nesse exato momento te decifrar.



sábado, 8 de agosto de 2009

Tudo, nada e mais um pouco.

Trilha para o post:



Quantas vezes você já deixou algo pela metade? Iniciamos e não terminamos. Às vezes, por mais que nos seja duro assumir, já começamos algo sabendo que não iríamos até o fim. Covardia? Medo? Preguiça? O motivo é algo irrelevante frente a infinidade de experiências que perdemos por não ir até o final de um caminho que nos propusemos a percorrer. 

Geralmente quando se vê o início de um caminho longo e cheio de curvas, você nunca vê o final e nem os obstáculos. Você avista apenas uma pequena parte de um grande todo. Então decide caminhar, aí no meio do caminho você se depara com as primeiras adversidades. Olha pra frente e ainda não vê o final. Olha pra trás e ainda avista o início. Não pensa duas vezes e decide voltar.

"O caminho mais fácil nem sempre é melhor que o da dor." (Lama- Luxúria)
Só esquece de pensar que, ao voltar, você percorreu o início duas vezes. Será que se tivesse continuado já não teria chegado ao fim? O medo às vezes é sinônimo de sensatez, porque alguém que não teme a nada não tem noção do certo ou errado. Mas o medo, às vezes, nos impede de viver. Nos priva de ter experiências que podem nos tornar mais fortes e nos dar coragem para novos desafios. E quanto mais hesitamos em conhecer os "finais", menos conheceremos outros começos. Pois a vida é um ciclo, se você não termina uma etapa, não pode começar outra. Lembra da historinha do pote de ouro no fim do arco-íris? É mais ou menos isso!


Você deve estar se perguntando:
Esse louco escreve um texto logo no primeiro post? 
Não se apresenta, não dá um oi, não diz porque fez esse blog.
Mas esse blog é como o meu arco-íris. Por várias e várias vezes eu tentei ir até o fim. Mas nunca havia feito nem o 1º post. Covardia? Medo? Preguiça? O motivo é irrelevante, o importante é que estou aqui, postando pra vocês:


Tudo, nada e mais um pouco.